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Por meio da arte, brasileiro fala da situação sociopolítica do país, no Canadá

Projeto busca adesão na web com a tag #brazilianspring. Foto: divulgação.

Uma exposição na Visual College of Art and Design, em Vancouver, Canadá, vem chamando atenção pela apresentação das obras do brasileiro Gustavo Chams, cuja intenção era expor a situação sociopolítica brasileira internacionalmente.

A obra, uma escultura feita em gesso e papel machê, faz uma referência aos problemas enfrentados atualmente no Brasil e tem o objetivo de incentivar uma reflexão ao difundir essas dificuldades ao mundo.

“A escultura representa duas pessoas conectadas pela parte de trás da cabeça, como se elas não soubessem dessa conexão, e é uma referência ao que o Brasil está passando agora. Como essa exposição foi fora do Brasil, é uma forma de mostrar às pessoas de fora que elas também estão conectadas com o problema”, comentou o idealizador do projeto Brazilian Spring (acesse aqui, em inglês), Gustavo Chams.

O artista explica que a escultura é coberta por uma textura fotográfica: “Eu cobri o rosto do modelo com um suporte e cobri o suporte com argila e maquiagem, depois fotografei e transformei aquilo numa textura. Essa textura cobre toda a estrutura”.

Chams ainda afirma que “a textura é irregular e mostra vários rostos olhando para a mesma direção, mas um rosto em particular olhando para outra, como se estivesse acordando de um sistema alienante”.

Ainda durante a exposição, que ficou uma semana em cartaz, há um quadro com a mesma textura, onde o espectador encontra um livro. Nas palavras do autor: “na frente do quadro tem um livro no qual está escrito ‘se você precisa chegar tão perto para ouvir falar de um problema sociopolítico que afeta 200 milhões de pessoas, existe algo de errado com a mídia’.

O trabalho faz parte do projeto Brazilian Spring, um movimento visual cuja proposta é divulgar e explicar os problemas sociopolíticos brasileiros para o mundo.

A primeira campanha do movimento, “Give Your Flowers”, contou com a participação de pessoas de diversos lugares, incluindo China, Canadá, Holanda, Líbano, Filipinas, Hong Kong, Suécia, entre outras.

O idealizador comenta que criou esse projeto porque percebeu que fora do país “mesmo que alguém discorde de você, em uma conversa no bar, por exemplo, eles sabem sobre assuntos polêmicos, como Iraque ou o que se passa na Turquia, mas ninguém nem imagina o que acontece no Brasil, e isso inclui pessoas muito bem politizadas”.

No site oficial do movimento, Chams explica que “assim que a mensagem começou a se espalhar, o projeto começou a crescer, ganhando suporte de incríveis artistas, como designers, artistas performáticos e fotógrafos, que abraçaram a causa e ajudaram a levantar o projeto para o tamanho atual” .A ideia é “plantar” a “Primavera Brasileira” por meio da arte. O nome faz uma referência à “Primavera dos Povos de 1848”, na qual diversos povos de países europeus iniciaram um processo revolucionário buscando a liberdade e direitos civis.

Todas as envolvidas e todos os envolvidos no projeto ajudam de forma voluntária, visto que é uma campanha não-lucrativa. A hashtag #brazilianspring está sendo difundida para aumentar a visibilidade do projeto através da internet.

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