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Índios acampados em Sarandi sofrem sem água

Em Sarandi, acampamento tem cerca de 130 índios. Foto: Angelo Miloch/SarandiPR.com.

Três índios, um padre, três professores e um presidente de bairro iniciaram a manhã desta segunda-feira (19) desbravando Sarandi com um objetivo: conseguir água para a pequena aldeia acampada na antiga rodoviária do município.

Os mais de cem índios Kaingang – cerca de 25 crianças – migraram para a rodoviária em maio, quando a Prefeitura de Sarandi retirou a Quadra 13 de Maio da Praça Ipiranga. Eles sempre sofreram com a falta d’água, mas a situação piorou nos últimos dias.

O cenário em nada lembra à mata. Colchões e cobertores estão espalhados pelo chão, sujo por terra e barro. Sem água, é difícil manter o local limpo. Não tem banheiros. Ainda assim, são feitos ali os balaios a serem vendidos na cidade. Parte do dinheiro vai para a tribo, instalada em Manoel Ribas.

O padre João Caruana e o presidente do bairro Jardim Independência, onde fica a rodoviária, Bianco Aparecido, guiam o grupo. Com eles, o mestre em Ciências Sociais, Josimar Priori, e as professoras Adriana Silva Oliveira e Luciana Regina Adriana. Dois índios e uma índia completam a equipe.

Da rodoviária, o grupo foi à sede da autarquia Águas de Sarandi, empresa responsável pelo abastecimento de água no município. O superintendente, Antônio Del Nero, não estava. Por telefone, o gerente administrativo Pedro Biriba não sinalizou intenção de religar a água.

O grupo seguiu para o gabinete do prefeito Carlos Alberto de Paula Junior (sem partido), e foi atendido pelo chefe de gabinete, Leandro Santos. Ele fez novo contato bom Biriba, e soube o motivo do corte de água: possível faturas atrasadas.

Da minha parte, me comprometo a levantar o valor das faturas e solicitar pagamento ainda hoje – disse Santos. De acordo com ele, a água não foi cortada quando os índios migraram para a antiga rodoviária, mas sim quando o prédio foi desativado.

Segundo Santos, o pagamento das possíveis faturas não garante que a água será religada, pois, o prédio da rodoviária foi cedido ao Funrebom (Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros). A partir do próximo ano, a nova sede do Corpo de Bombeiros deverá ser construída no local.

O chefe de gabinete não soube explicar como a prefeitura atrasou uma conta de água de um imóvel onde o serviço já havia sido cancelado. Ele disse que verá, de fato, se há débitos da prefeitura em relação à rodoviária.

As respostas não agradaram. Um protesto deve ocorrer na manhã desta terça-feira (20).

Os índios querem deixar a rodoviária este mês, mas um novo grupo pode retornar à Sarandi para vender seus artesanatos. As necessidades fisiológicas são feitas em comércios da região. Crianças e mulheres tomam banho em torneiras de locais públicos. O Conselho Tutelar foi acionado.

Na antiga rodoviária, índios Kaingang preparam balaios a serem vendidos na cidade. Foto: Angelo Miloch/SarandiPR.com.

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