Notícias Sarandi

Sarandi gastou R$ 139 mil com projeto para leitura de jornal nas escolas

A crise econômica iniciada em 2015 não impediu a Prefeitura de Sarandi de aumentar em 66,4% o investimento no projeto O Diário na Escola, em 2016. Este ano, o município gastou R$ 139 mil com o programa. No ano passado, a proposta custou R$ 83,5 mil.

Os empenhos pagos pela manutenção do projeto foram publicados no Portal da Transparência da Prefeitura de Sarandi. Os pagamentos foram feitos à Editora Central Ltda., empresa que publica o Jornal O Diário. O Diário na Escola visa treinamento para leitura crítica de jornais em sala de aula.

Segundo o Portal da Transparência, com o empenho nº 1434, de 2016, a Secretaria Municipal de Educação pagou R$ 139,106 mil por 34 remessas de 1.360 exemplares, 18 assinaturas e assessoria pedagógica para professores dos 4º e 5º anos.

Já por meio do empenho nº 2018, de 2015, a secretaria pagou R$ 83,570 mil pelos mesmos itens: 34 remessas de 1.360 exemplares, 18 assinaturas e assessoria pedagógica para professores dos 4º e 5º anos.

Se comparado ao empenho nº 261, de 2014, a alta no custo do projeto chega a 252%. Dois anos atrás, o programa custou R$ 39,518 mil, mas contemplou menos edições: foram 34 remessas de 715 exemplares. O número de assinaturas e as séries atendidas permaneceram iguais.

A secretária de Educação de Sarandi, Adriana Palmieri, informou que o aumento é devido ao número de alunos e professores atendidos pelo projeto. Segundo Adriana, o jornal é enviado semanalmente às escolas, que tem formação duas vezes por mês.

A gente compra o jornal e solicita uma quantidade de informações que a gente precisa, de acordo com uma avaliação que a gente faz com os funcionários, que são os professores efetivos dessa turma -, contou a secretária, ao SarandiPR.com.

A contratação do professor Renilson Menegassi, da UEM (Universidade Estadual de Maringá), também resultou no aumento do projeto, informou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Sarandi, por nota. “O valor da hora aula dele é maior que os professores sem titulação.”

Além dos professores 4 e 5 anos os de 3 e coordenadores estão tendo carga horária também. Além de trabalhar os descritores de língua portuguesa. Este ano Sarandi inovou com os descritores de matemática” (sic), diz a nota.

Números informados pelo setor de Transparência da Prefeitura de Sarandi à reportagem mostram que, em 2014, o projeto O Diário na Escola contemplou 20 horas-atividade. A quantidade subiu para 44 horas, em 2015, e 144 horas, em 2016.

Secretaria Municipal de Educação_Sarandi-PR_Foto-SarandiPR.com_2

Legenda: Fachadaa da Secretaria de Educação, na Avenida Angelo Perini, tem lona rasgada. Foto: Angelo Miloch/SarandiPR.com.

Sem licitação

A contratação do projeto O Diário na Escola é feito por processo de inexigibilidade, quando não há licitação. Segundo a coordenadora do projeto na empresa, Loiva Lopes, a dispensa acontece por que o programa é “exclusivo na região”.

Se tivesse outro jornal que desenvolvesse a mesma proposta, seria legítimo a abertura, mas, como não existe.

De acordo com Loiva, em 2015 e 2016 o projeto atendeu a 2.720 estudantes por ano. O programa foi ampliado para as 5ª, 4ª e 3ª séries. Ela também citou que a contratação de Menegassi “acabou onerando” o valor. Segundo Loiva, professor cobra R$ 250 por hora.

A reportagem falou com Menegassi, por telefone, na manhã desta sexta-feira (17). Ele pediu que as perguntas referentes ao projeto fossem encaminhadas por email, o que foi feito. Na manhã do sábado, ele retornou o contato, mas não informou o valor cobrado e quantas horas negociou com o Diário na Escola e com a Prefeitura de Sarandi.