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PM do Paraná matou 21 pessoas por mês entre janeiro e maio

A PM (Polícia Militar) do Paraná matou, entre janeiro e maio deste ano, 107 pessoas no estado, uma média mensal de 21 mortes. No ano passado, 104 mortes decorrentes da intervenção policial foram registradas no mesmo período, 20 por mês. A comparação mostra um aumento de 2,8%.

Os números foram obtidos com exclusividade pelo portal SarandiPR.com por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A PM paranaense publica apenas levantamento anual desta modalidade de óbito, que é divulgado no Anuário Brasileiro da Segurança Pública.

A zeladora Rose Augusta de Souza, de 40 anos, ficou “com o coração em pedaços” desde que teve o filho morto após troca de tiros com a PM, dia 5 de maio, no bairro Morada do Sol, em Sarandi. Jhonathan Henrique de Souza perdeu a vida aos 22 anos, e deixou a mulher grávida e dois filhos pequenos.

Ele já estava apanhando direto da PM, que andava com a foto dele na viatura -, comentou Rose, se referindo a uma foto em que Jhonathan aparece empunhando duas armas, “controles de vídeo game”, segundo familiares.

Jhonathan era servente de pedreiro e havia saído num Chevette vermelho para comprar lanches, por volta das 23h30, contou Rose.

Você acha que bandido iria andar num carro assim? -, questionou a mãe, mostrando o veículo do filho, encostado desde a morte. – Me dói chegar perto desse carro. Segundo a PM, Jhonathan dirigia o Chevette em atitude “suspeita” e desobedeceu voz de abordagem. Ele fugiu, trocou tiro com policiais e acabou morto.

Ele carregava, na cintura, uma bolsa de colostomia, então acharam que ele estava armado. Agora, Rose ajuda a nora a criar os dois netos, de cinco e dois anos, e a neta recém-nascida, com 16 dias.

Meu coração está em pedaços.

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Legenda: Segundo a mãe, carro do filho não conseguiria fugir da viatura da PM. Foto: Angelo Miloch/SarandiPR.com.

Corporativismo

Ao analisar os números, o coordenador do Centro de Estudos da Segurança Pública e Direitos Humanos da UFPR (Universidade Federal do Paraná), o professor Pedro Bodê, ressaltou que “a Polícia Militar mata muito”.

Boa parte da população espera que a polícia funcione assim. Boa parte da população bate palma para esse tipo de ação -, disse Bodê. Para o professor, a falta de publicidade do assunto e de uma “investigação independe” das mortes praticadas por policiais contribui para a formação dessa cultura.

Outro lado

Por nota, a Polícia Militar do Paraná disse que quando o uso “legitimado” da força letal é necessário, “ainda que não querido, ele é absolutamente esperado, é técnico”. A PM ressaltou não almejar resultado com mortes em suas intervenções.

Segundo a PM, quanto mais eficiente for a resposta da corporação junto aos chamados via 190, “maiores serão as possibilidades de confronto naquelas ocorrências que há tentativa de fuga, uso de arma de fogo, uso de drogas e álcool, entre outras”.

A PM também apontou para a necessidade de confrontar o número de mortes com o de ocorrências atendias e do índice de violências de criminalidade, “de modo que não se dá pela vontade exclusiva dos militares estaduais o aumento destes indicadores de letalidade policial”.